sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Brasil participa de feira de Arte em Madri
O Brasil participa da 27ª edição da Arco, uma das maiores feiras de arte contemporânea do mundo, que acontece em Madri, na Espanha. Inaugurada nesta quarta-feira (13), a mostra conta com a participação de 34 países e 295 galerias internacionais. Veja fotos da exposição O evento deste ano mistura obras de consagrados artistas como Picasso e Miró a trabalhos de pessoas desconhecidas pelo grande público. Este ano o Brasil participa como convidado e é representado por 128 artistas que se dividem em 32 galerias em um pavilhão próprio – o “Performing Arco”. A homenagem ao país será feita também em outros pontos da cidade por meio de exposições, filmes e shows. Entre os trabalhos em destaque está o da artista brasileira Marta Neves, que elaborou um retrato do terrorista Osama bin Laden com ursos de pelúcia. Há também obras fotográficas de autores como Miguel Rio Branco, Mario Cravo Neto e Caros Garaicoa, e instalações como a de José Patrício, elaboradas com peças de dominó. Já na galeria espanhola, a artista Pilar Beltran apresenta um mosaico feito com ultra-sonografias de gestantes e fotografias de lápides sob o título "mães e filhos". Enquanto isso, os belgas da Deweer Art Gallery levaram para a Arco o projeto que o artista Koen Vanmechelen batizou de "Cosmopolitan Chicken", para o qual fotografou frangos durante oito anos e os dispôs em múltiplas instalações. Em uma delas, o próprio autor é o protagonista, degustando um frango diante de um galinheiro. A exposição estará aberta ao público até o dia 18 de fevereiro.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
TV DIGITAL E SUAS CONTROVERSAS
A televisão digital estreou oficialmente no domingo (2/12), na cidade de São Paulo, de forma tão secreta quanto antecipamos neste espaço. Apenas uns raríssimos paulistanos puderam vê-la em casa, com os equipamentos postos à venda a toque de caixa, nas últimas semanas.
A grande imprensa, cumprindo seu dever, produziu copioso material, inclusive cadernos especiais, para informar o distinto público sobre o funcionamento da nova tecnologia e suas inúmeras possibilidades. Boa parte das matérias foram guias do tipo "Entenda a TV Digital", no formato pergunta-e-resposta , com explicações objetivas para perguntas idem.
Assim sendo, ombreando-se com as melhores casas do ramo noticioso e no intuito de oferecer aos leitores do Observatório da Imprensa a informação mais qualificada possível, esta coluna também oferece a sua modesta contribuição, arriscando respostas para questões que não foram formuladas, ou não foram de todo respondidas. São elas:
** O Brasil está certo em adotar a TV Digital?
Sem sombra de dúvida. A TVD (ou DTV, na sigla inglesa que a tradicional macaquice pátria já adotou) é uma tecnologia muito superior de transmissão de sinais de áudio e vídeo, que os países centrais já adotam desde o início da década, ou mesmo antes. Ela abre uma nova etapa na história da televisão e pode trazer enormes benefícios em termos de informação, entretenimento, educação e cidadania. Colocar-se contra a TV digital é burrice e fazê-lo apenas por pirraça contra o governo Lula, é burrice e meia.
** O Brasil adotou a TV Digital no momento certo?
Em termos. A decisão de planejar a introdução da tecnologia no mercado brasileiro, um dos maiores do mundo, foi tomada até tardiamente, em novembro de 2003 (veja o Decreto nº 4901 ). Poderíamos ter começado antes. Mas, depois que o processo começou para valer, as milhares de questões que ele colocou recomendavam cautela, para que as implicações fossem bem estudadas e os entraves solucionados antes da estréia.
Não foi o que ocorreu. As emissoras apressaram o governo, temerosas com a instabilidade em seu mercado, que está ameaçado pelo migração de telespectadores para a internet, a desenfreada pirataria de DVDs e a concorrência que já se anuncia da IPTV, a televisão por internet das empresas de telefonia, que é paga, mas de custo mais baixo. Queriam fortalecer-se, oferecendo um forte atrativo ao público e recobrindo-se da aura de modernidade e avanço tecnológico que haviam perdido. O governo embarcou na pressa e, em junho de 2006, definiu as regras gerais do jogo, nos termos em que as emissoras queriam, recuando enormemente de suas objetivos iniciais (compare o Decreto nº 5820 com o anterior).
De lá para cá, tudo foi feito na correria, sem tempo para o desenvolvimento, por exemplo, do sistema operacional Ginga, o Windows da TVD brasileira – nossa (boa) contribuição ao sistema japonês que adotamos. Estamos começando sem Ginga, o que significa uma TVD limitada e gastos futuros para os consumidores que estão comprando equipamentos agora.
** O Brasil fez o certo ao adotar o padrão japonês de TVD?
O padrão japonês, desenvolvido depois do americano e do europeu, é mais avançado e adapta-se melhor às condições brasileiras, sejam as sócio-econômicas, sejam as geográficas. Testes conduzidos por universidades (USP, Mackenzie), com apoio das emissoras, demonstraram isso.
A questão é que o padrão japonês privilegia a alta definição de imagens e de sons (HDTV), e a mobilidade/portabil idade, isto é, a recepção em veículos de qualquer tipo e em dispositivos pessoais como celulares, i-pods etc. A primeira dessas funcionalidades é bastante elitista, já que exige receptores muito caros. Tanto assim que, mundo afora, a definição que temos atualmente – a chamada "padrão", ou "standard" (SDTV) – ainda é majoritária na TVD.
Quanto à outra funcionalidade, o padrão japonês interessava mais às emissoras porque permite que elas transmitam diretamente para os celulares, sem passar pelas redes de telecomunicaçõ es. São elas que fazem o sinal chegar ao aparelho e não as teles. Com isso, as emissoras mantém o controle exclusivo de seu mercado. É melhor para o telespectador, claro, que não tem de pagar nada às teles, mas não foi no orçamento dele que as emissoras pensaram e sim no próprio.
Já o padrão europeu foca mais a multiprogramaçã o, ou a possibilidade de se ampliar o número de canais, e também a interatividade, que permite ao telespectador navegar em telas de informação e fazer escolhas, como na internet. Isto seria melhor para o Brasil, que tem pouca diversidade de conteúdo na televisão e um enorme contingente de pessoas ainda longe da rede mundial de computadores (cerca de três quartos da população). Foi por isso que os setores pró-democratizaçã o da mídia posicionaram- se mais a favor do padrão europeu, ou de um padrão mais adequado às nossas necessidades.
** O padrão de TVD que temos, afinal, é japonês ou nipo-brasileiro?
O governo adotou o sistema japonês, com inovações brasileiras – basicamente, o navegador Ginga e a compressão de imagens padrão MPEG-4. O sistema japonês puro não funciona aqui e não adianta trazer muamba nipônica do Paraguai. Ele também não incorporou, ainda, os avanços da engenharia brasileira.
Portanto, não há propriamente um padrão "nipo-brasileiro", ao menos por enquanto. Há um padrão japonês e um brasileiro, que é o japonês adaptado. Os dois são únicos no mundo e adotados apenas em seus mercados. O que significa que não dá para importar nem exportar. Por isso, são mais caros que o americano e o europeu. E seguirão sendo, enquanto não conquistarem novos mercados.
** Onde foi parar a fábrica de semicondutores, que o Japão nos daria como contrapartida pela escolha de seu padrão?
Perdeu-se no papelório oficial. Não era uma exigência contratual nossa, nem um compromisso formal deles. Era uma vaga intenção de envidar esforços no sentido de um dia, quem sabe, considerar a remota hipótese de estudar o assunto por dois ou três minutos. Já passaram mais de cinco e não rolou fábrica alguma. Nem vai rolar.
** O que, enfim, a TV digital brasileira oferecerá aos telespectadores?
Inicialmente, das grandes funcionalidades da TVD – alta definição, mobilidade/portabil idade, multiprogramaçã o e interatividade – só está disponível a primeira. E apenas para consumidores que possam comprar conversores (set top boxes) dotados de HDTV, com custo superior a 1 mil reais, e que tenham telas de LCD ou plasma com 1080 linhas de resolução (a mais baratinha custa quase 8 mil reais). Ou seja: a elite da elite da elite dos telespectadores. A turma do Rolex.
Para a tigrada, a aquisição do conversor digital mais simples, em definição SDTV, já melhora bastante a imagem e o som do televisor analógico que a maioria tem. Mas com os preços desse conversor na faixa de 500 reais, no mínimo, significa que o consumidor terá de desembolsar quase o valor de dois televisores atuais de 16 polegadas para melhorar a sua recepção. O bom-bril na antena ainda vale mais a pena.
** A TV digital elimina, de fato, todos os problemas de imagem?
A TVD acaba com fantasmas, chuviscos, oscilações, todos os problemas da televisão analógica. Mas também tem lá os seus defeitos. Quem tem NET Digital em casa já os experimenta. Sabe aquele congelamento de imagens, aquele quadriculamento, que deixa a tela como se fosse um mosaico de quadradinhos? Pois é. Defeito digital.
** Quando serão introduzidas as demais funcionalidades da TV Digital?
A indústria eletrônica está prometendo dispositivos móveis e portáteis para o primeiro trimestre de 2008. Vamos ver se o preço, e não apenas o aparelho, cabe no bolso. Quanto ao celular com TV, não se anime muito. As teles comandam a produção desses equipamentos e, como não lucram nada com a TVD – ao contrário, porque fulano não telefona enquanto assiste TV, muito menos baixa vídeos, portanto não gera tráfego –, não haverá nenhuma farra de televisão no celular. É o que acontece no Japão, onde os dispositivos portáteis para recepção de TV abundam, mas não os celulares.
Quanto à interatividade, a melhor perspectiva é o final de 2008, quando estará pronto, supostamente, o navegador Ginga. Mas depende das emissoras se interessarem por oferecer produtos interativos em sua programação e não há maior entusiasmo nesse sentido. Elas acham que esse é um novo serviço, muito distinto do que fazem, e temem investir nele porque não têm modelo de negócio definido. Preferem fazer apenas o que sabem que dá dinheiro. Puro conservadorismo.
Já a multiprogramaçã o poderia ser implantada rapidamente, se as emissoras tivessem interesse. Os investimentos não são muito altos. Mas as emissoras comerciais não querem, porque acham que haverá dispersão dos recursos publicitários por muitos canais e o cobertor será curto para todo mundo. Como apenas as emissoras educativas querem, para fazer canais de educação a distância, a indústria eletrônica não dotou os conversores de sintonia para multiprogramaçã o. Também fica para o futuro. Indefinido.
** Os preços da TV digital não vão cair com o tempo?
Certamente vão, mas em quanto tempo? Talvez leve anos. A indústria eletrônica diz que precisa ter ganhos de escala, portanto precisa vender para os primeiros consumidores por preços mais altos, para que outros comprem mais barato no futuro. Atualmente, como vimos, só a turma do Rolex pode comprar.
Mas essa turma já não tem TV por assinatura, que já é digital e que oferecerá HDTV a partir de janeiro? Vai comprar conversores digitais para quê? E se ela não comprar, como a indústria terá os ganhos de escala?
É aqui que se explica a linha de financiamento de 1 bilhão de reais do BNDES, anunciada pelo presidente Lula na cerimônia de inauguração da TVD em São Paulo. O governo vai financiar as redes varejistas, para que elas ponham os preços dos aparelhos ao alcance da tigrada. Ou seja: o contribuinte é que garantirá o ganho de escala.
** Os aparelhos que forem comprados agora serão usados por muito tempo?
Só se o consumidor se contentar apenas com a melhoria do som e da imagem. Quando as outras funcionalidades da TVD forem introduzidas, os conversores lançados agora no mercado não servirão para sintonizá-las. Será preciso comprar novos aparelhos. Que não terão escala em sua produção, portanto serão caros, portanto necessitarão de uma ajudinha financeira do BNDES, portanto será mais uma conta para o contribuinte pagar.
** Enfim, o que fazer? Aderir ou não à TV digital?
Não foi o próprio ministro Hélio Costa, das Comunicações, que nos sugeriu aguardar, porque o governo segue trabalhando para que o conversor digital seja vendido a 200 reais? Então sejamos obedientes e pacientes, a menos que alguém aí tenha dinheiro para torrar. Mas, nesse caso, será provavelmente leitor de Exame ou de Caras, não deste Observatório da Imprensa.
A grande imprensa, cumprindo seu dever, produziu copioso material, inclusive cadernos especiais, para informar o distinto público sobre o funcionamento da nova tecnologia e suas inúmeras possibilidades. Boa parte das matérias foram guias do tipo "Entenda a TV Digital", no formato pergunta-e-resposta , com explicações objetivas para perguntas idem.
Assim sendo, ombreando-se com as melhores casas do ramo noticioso e no intuito de oferecer aos leitores do Observatório da Imprensa a informação mais qualificada possível, esta coluna também oferece a sua modesta contribuição, arriscando respostas para questões que não foram formuladas, ou não foram de todo respondidas. São elas:
** O Brasil está certo em adotar a TV Digital?
Sem sombra de dúvida. A TVD (ou DTV, na sigla inglesa que a tradicional macaquice pátria já adotou) é uma tecnologia muito superior de transmissão de sinais de áudio e vídeo, que os países centrais já adotam desde o início da década, ou mesmo antes. Ela abre uma nova etapa na história da televisão e pode trazer enormes benefícios em termos de informação, entretenimento, educação e cidadania. Colocar-se contra a TV digital é burrice e fazê-lo apenas por pirraça contra o governo Lula, é burrice e meia.
** O Brasil adotou a TV Digital no momento certo?
Em termos. A decisão de planejar a introdução da tecnologia no mercado brasileiro, um dos maiores do mundo, foi tomada até tardiamente, em novembro de 2003 (veja o Decreto nº 4901 ). Poderíamos ter começado antes. Mas, depois que o processo começou para valer, as milhares de questões que ele colocou recomendavam cautela, para que as implicações fossem bem estudadas e os entraves solucionados antes da estréia.
Não foi o que ocorreu. As emissoras apressaram o governo, temerosas com a instabilidade em seu mercado, que está ameaçado pelo migração de telespectadores para a internet, a desenfreada pirataria de DVDs e a concorrência que já se anuncia da IPTV, a televisão por internet das empresas de telefonia, que é paga, mas de custo mais baixo. Queriam fortalecer-se, oferecendo um forte atrativo ao público e recobrindo-se da aura de modernidade e avanço tecnológico que haviam perdido. O governo embarcou na pressa e, em junho de 2006, definiu as regras gerais do jogo, nos termos em que as emissoras queriam, recuando enormemente de suas objetivos iniciais (compare o Decreto nº 5820 com o anterior).
De lá para cá, tudo foi feito na correria, sem tempo para o desenvolvimento, por exemplo, do sistema operacional Ginga, o Windows da TVD brasileira – nossa (boa) contribuição ao sistema japonês que adotamos. Estamos começando sem Ginga, o que significa uma TVD limitada e gastos futuros para os consumidores que estão comprando equipamentos agora.
** O Brasil fez o certo ao adotar o padrão japonês de TVD?
O padrão japonês, desenvolvido depois do americano e do europeu, é mais avançado e adapta-se melhor às condições brasileiras, sejam as sócio-econômicas, sejam as geográficas. Testes conduzidos por universidades (USP, Mackenzie), com apoio das emissoras, demonstraram isso.
A questão é que o padrão japonês privilegia a alta definição de imagens e de sons (HDTV), e a mobilidade/portabil idade, isto é, a recepção em veículos de qualquer tipo e em dispositivos pessoais como celulares, i-pods etc. A primeira dessas funcionalidades é bastante elitista, já que exige receptores muito caros. Tanto assim que, mundo afora, a definição que temos atualmente – a chamada "padrão", ou "standard" (SDTV) – ainda é majoritária na TVD.
Quanto à outra funcionalidade, o padrão japonês interessava mais às emissoras porque permite que elas transmitam diretamente para os celulares, sem passar pelas redes de telecomunicaçõ es. São elas que fazem o sinal chegar ao aparelho e não as teles. Com isso, as emissoras mantém o controle exclusivo de seu mercado. É melhor para o telespectador, claro, que não tem de pagar nada às teles, mas não foi no orçamento dele que as emissoras pensaram e sim no próprio.
Já o padrão europeu foca mais a multiprogramaçã o, ou a possibilidade de se ampliar o número de canais, e também a interatividade, que permite ao telespectador navegar em telas de informação e fazer escolhas, como na internet. Isto seria melhor para o Brasil, que tem pouca diversidade de conteúdo na televisão e um enorme contingente de pessoas ainda longe da rede mundial de computadores (cerca de três quartos da população). Foi por isso que os setores pró-democratizaçã o da mídia posicionaram- se mais a favor do padrão europeu, ou de um padrão mais adequado às nossas necessidades.
** O padrão de TVD que temos, afinal, é japonês ou nipo-brasileiro?
O governo adotou o sistema japonês, com inovações brasileiras – basicamente, o navegador Ginga e a compressão de imagens padrão MPEG-4. O sistema japonês puro não funciona aqui e não adianta trazer muamba nipônica do Paraguai. Ele também não incorporou, ainda, os avanços da engenharia brasileira.
Portanto, não há propriamente um padrão "nipo-brasileiro", ao menos por enquanto. Há um padrão japonês e um brasileiro, que é o japonês adaptado. Os dois são únicos no mundo e adotados apenas em seus mercados. O que significa que não dá para importar nem exportar. Por isso, são mais caros que o americano e o europeu. E seguirão sendo, enquanto não conquistarem novos mercados.
** Onde foi parar a fábrica de semicondutores, que o Japão nos daria como contrapartida pela escolha de seu padrão?
Perdeu-se no papelório oficial. Não era uma exigência contratual nossa, nem um compromisso formal deles. Era uma vaga intenção de envidar esforços no sentido de um dia, quem sabe, considerar a remota hipótese de estudar o assunto por dois ou três minutos. Já passaram mais de cinco e não rolou fábrica alguma. Nem vai rolar.
** O que, enfim, a TV digital brasileira oferecerá aos telespectadores?
Inicialmente, das grandes funcionalidades da TVD – alta definição, mobilidade/portabil idade, multiprogramaçã o e interatividade – só está disponível a primeira. E apenas para consumidores que possam comprar conversores (set top boxes) dotados de HDTV, com custo superior a 1 mil reais, e que tenham telas de LCD ou plasma com 1080 linhas de resolução (a mais baratinha custa quase 8 mil reais). Ou seja: a elite da elite da elite dos telespectadores. A turma do Rolex.
Para a tigrada, a aquisição do conversor digital mais simples, em definição SDTV, já melhora bastante a imagem e o som do televisor analógico que a maioria tem. Mas com os preços desse conversor na faixa de 500 reais, no mínimo, significa que o consumidor terá de desembolsar quase o valor de dois televisores atuais de 16 polegadas para melhorar a sua recepção. O bom-bril na antena ainda vale mais a pena.
** A TV digital elimina, de fato, todos os problemas de imagem?
A TVD acaba com fantasmas, chuviscos, oscilações, todos os problemas da televisão analógica. Mas também tem lá os seus defeitos. Quem tem NET Digital em casa já os experimenta. Sabe aquele congelamento de imagens, aquele quadriculamento, que deixa a tela como se fosse um mosaico de quadradinhos? Pois é. Defeito digital.
** Quando serão introduzidas as demais funcionalidades da TV Digital?
A indústria eletrônica está prometendo dispositivos móveis e portáteis para o primeiro trimestre de 2008. Vamos ver se o preço, e não apenas o aparelho, cabe no bolso. Quanto ao celular com TV, não se anime muito. As teles comandam a produção desses equipamentos e, como não lucram nada com a TVD – ao contrário, porque fulano não telefona enquanto assiste TV, muito menos baixa vídeos, portanto não gera tráfego –, não haverá nenhuma farra de televisão no celular. É o que acontece no Japão, onde os dispositivos portáteis para recepção de TV abundam, mas não os celulares.
Quanto à interatividade, a melhor perspectiva é o final de 2008, quando estará pronto, supostamente, o navegador Ginga. Mas depende das emissoras se interessarem por oferecer produtos interativos em sua programação e não há maior entusiasmo nesse sentido. Elas acham que esse é um novo serviço, muito distinto do que fazem, e temem investir nele porque não têm modelo de negócio definido. Preferem fazer apenas o que sabem que dá dinheiro. Puro conservadorismo.
Já a multiprogramaçã o poderia ser implantada rapidamente, se as emissoras tivessem interesse. Os investimentos não são muito altos. Mas as emissoras comerciais não querem, porque acham que haverá dispersão dos recursos publicitários por muitos canais e o cobertor será curto para todo mundo. Como apenas as emissoras educativas querem, para fazer canais de educação a distância, a indústria eletrônica não dotou os conversores de sintonia para multiprogramaçã o. Também fica para o futuro. Indefinido.
** Os preços da TV digital não vão cair com o tempo?
Certamente vão, mas em quanto tempo? Talvez leve anos. A indústria eletrônica diz que precisa ter ganhos de escala, portanto precisa vender para os primeiros consumidores por preços mais altos, para que outros comprem mais barato no futuro. Atualmente, como vimos, só a turma do Rolex pode comprar.
Mas essa turma já não tem TV por assinatura, que já é digital e que oferecerá HDTV a partir de janeiro? Vai comprar conversores digitais para quê? E se ela não comprar, como a indústria terá os ganhos de escala?
É aqui que se explica a linha de financiamento de 1 bilhão de reais do BNDES, anunciada pelo presidente Lula na cerimônia de inauguração da TVD em São Paulo. O governo vai financiar as redes varejistas, para que elas ponham os preços dos aparelhos ao alcance da tigrada. Ou seja: o contribuinte é que garantirá o ganho de escala.
** Os aparelhos que forem comprados agora serão usados por muito tempo?
Só se o consumidor se contentar apenas com a melhoria do som e da imagem. Quando as outras funcionalidades da TVD forem introduzidas, os conversores lançados agora no mercado não servirão para sintonizá-las. Será preciso comprar novos aparelhos. Que não terão escala em sua produção, portanto serão caros, portanto necessitarão de uma ajudinha financeira do BNDES, portanto será mais uma conta para o contribuinte pagar.
** Enfim, o que fazer? Aderir ou não à TV digital?
Não foi o próprio ministro Hélio Costa, das Comunicações, que nos sugeriu aguardar, porque o governo segue trabalhando para que o conversor digital seja vendido a 200 reais? Então sejamos obedientes e pacientes, a menos que alguém aí tenha dinheiro para torrar. Mas, nesse caso, será provavelmente leitor de Exame ou de Caras, não deste Observatório da Imprensa.
ITAGUARA MINAS GERAIS
A cidade de Itaguara pode ser considerada uma das fontes inspiradoras de Guimarães Rosa, em contos dos classicos literarios "Sagarana" e "Tutameia", mas pouco se sabe sobre essa aconchegante região localizada a 100 km da capital mineira.Integrante do Circuito Campos das Vertentes ao lado das cidades como Larvras, Oliveira e Carmo da Mata,Itaguara foi um dos primeiros arraiais do estado - entao com o nome de Conquista - e atualmente tem sua economia baseada na agropecuária,agroindustria, fundição de ferro gusa e fabricação de ceramica.Más os pólos turísticos e universitários da regiao começam a se destacar.
O eco turismo desponta como uma das mais rentaveis atividades na região, privilegiada pela natureza e banhada por diversos afluentes do São Franscisco, como o rio São joão. São tres as principais cachoeiras da cidade :Pataca, Engenho Velho e Mata - Porco - todas muito bela se propícias ao banho. A prefeitura já demonstra preocupação e prudencia ao coinciliar crescimento urbano e preservação ambiental . "Um dos maiores desafios é resolver os problemas de resíduos sólidos do aterro sanitário da cidade e a estação de tratamento de esgoto, que é tratar o esgoto antes que atinja o rio ,para que tenhamos a despoluição de nossos afluentes", atesta o prefeito Ubiraci Prata Lima.
Como toda tradicional cidade de Minas, a gastronomia e a vida boemia tambem merecem menção: são vários bares e restaurantes, rústicos e aconchegantes, que entre os pratos principais e tira gostos se destacam o figado com jiló, carne de sol com mandioca, caldo de feijão, peixe a dorê, dobradinha e várias outras iguarias . A quantidade de estabelecimentos principalmente na avenida Padre Gregório é surpreendente .
É de conhecimento público que Guimarães Rosa, em passagem pela cidade, disse que "Itaguara é um lugar para você deitar no chão e deixar-se acabar".Suas palavras ainda são válidas,mas as possibilidades são bem maiores neste pitoresco local, que cada vez mais sabe crescer sem perder suas características interioranas.
CIDADE UNIVERSITÁRIA
O aumento da população estudantil já influencia diretamente a economia e movimenta a vida social da cidade, pois segundo o prefeito Ubiraci,"já são quatro faculdades funcionando, com a tendencia de entrar agora no ano de 2008 mais três faculdades, e a possibilidade de se construir um campus universitario da Unicor .
Inspirado por Juscelino Kubitschek, o prefeito de Itaguara não mede esforços para investir na cidade: " temos uma visão juscelenista de atuar, de empreendedorismo,de procurar melhorias de padrão de vida da população e crescimento economico, o que gera um crescimento social"- visão otimista, que não ignora o grande potencial turístico do local , cuja grade de eventos culturais periódicos já cobre o ano todo, atrações como o Festival de Inverno, a Festa do Produtor Rural, Carnaval, micaretas variadas e as festas de São Cristóvão e de Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade.Segundo o morador Teodózio de Oliveira " o movimento aumenta bastante durante as festas , e a população recebe de braços abertos os visitantes de todo o Brasil "- destacando outra caracteristica da cidade, a hospitalidades de seus habitantes .
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